Hoje encontrei um antigo texto que escrevi, que bem podia ter sido escrito ontem, pois é recorrente...
"Com um último impulso, toco com a mão no fundo subaquático. Enquanto sinto o ar fugir, penso se será sempre necessário irmos ao fundo, mesmo ao fundo dos nossos terrores para conseguirmos emergir mais limpos, sãos. Naquele instante que separa a Vida da Morte, o instante que muda tudo, a bifurcação nos nossos sonhos, será aí que reside a solução? Teremos de estar próximos da sufocação para conseguirmos ver? Estaremos mais lúcidos nessa altura? Ou esse instante, em que quase vemos, quase sentimos o outro caminho, serve para despoletar os nossos sentidos mais profundos, o instinto implacável que nos grita aos ouvidos: Sobe! Sobe! SOBE!
Quem nunca sentiu esse pânico, não sabe que intensidade pode atingir o medo de tomarmos as decisões erradas, que nos levam para o fundo do poço. O medo incrível que surge quando percebemos que muitas (todas?) vezes estas decisões são instantâneas e irreversíveis.
Estranhamente, pelo menos para mim, parece que não há meio caminho. Este processo de limpeza, de "emergência", tem de ser feito a partir do fundo senão não resulta, fica incompleto, como se nos tivessemos esquecido de varrer um canto escuro de uma casa impecavelmente limpa."
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Texto antigo
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sábado, 3 de abril de 2010
She
She dwelled in her pain, time and again. Sometimes she felt that was the only real thing in her life. The pain endures, said one of the voices in her mind. Had she the will to see it any other way? Sometimes she did.
She looks at the outside world like someone who sees a diferent reality. With a mist of curiosity and a somewhat disbelief...
Others perceive her as an odd person, a little bit distant in her approach to everybody else. Not quite as a rude or sad person, just ... a little distant.
That's because she's very good at keeping her to herself.
Entoada por Chuva de Verão à(s) 21:48 1 melodias
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Há qualquer coisa de errado
Devo acreditar sempre que todos temos o Bom e o Mau?
Porque é que só vejo o Mau em ti? O teu Mau é tanto, tanto que parece que todo o Bom que pudesses ter (e que não vejo mais) se torna tão fino e transparente, não existe de todo.
Quando te aproximas, tudo se torna pior. Aquilo em que tocas estraga-se. Consumido pela podridão. Tens o dom de trazer a podridão àquilo em que tocas, como Midas tinha o condão de tornar em Ouro aquilo em que tocava. A maldição dele era mais escondida que a tua. A tua é-me tão visível, tão saliente agora, mas ainda assim tão invisível para alguns...
É tão injusto! És tão injusto! Com as tuas palavras de falso arrependimento, as tuas mentiras, mais agradáveis de ouvir para alguns do que as verdades, a tua dor imaginada, criada, desonesta...
Matas o que tocas.
Entoada por Chuva de Verão à(s) 10:58 3 melodias
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domingo, 18 de outubro de 2009
Pensamento solto
Todas as vozes que me acompanham têm o seu lugar, o seu papel. Na sua esquizofrenia sincronizada formam o que sou, quem eu sou. Se uma se eleva mais alto, e esconde as outras, perde-se o equilíbrio alcançado anteriormente, aquele equilíbrio desequilibrado, instável. Será possível alguma vez atingir um equilíbrio eterno? Ou a sua beleza está precisamente na sua “inalcanssibilidade”? As vozes acompanham-me. Todas elas têm algo a dizer, algo a dizer… Algumas não querem ouvir as outras, algumas são tão inconspícuas que nem sei que existem. Quero conhecê-las. Faz-me espécie tê-las a indicar-me caminhos, a reagirem impulsivamente às situações sem que eu saiba quem são. Poderei conhecê-las a todas? Quererei mesmo? Parte de mim não quer… É difícil, tenho de me tornar vulnerável para isso e isso não agrada a uma parte muito forte em mim. Tento combatê-lo e não tento combatê-lo ao mesmo tempo. Dirijo-me para lá e fujo ao mesmo tempo. Estou cada vez mais consciente do que faço e quase alcanço melhor o porquê de o fazer… Mas como os grãos de areia, a sua plenitude escapa-me entre os dedos…
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